Stephanie
 

Não, eu não sei fazer poesia.
Ninguém jamais me ensinou a rimar, nem tampouco assimilei os segredos da fina arte da métrica.
Sei apenas prosear. Não como Machado, talvez um pouco como Rui Barbosa. E entre os meandros de uma linguagem acadêmica, por que não falar de amor? Amor. Não o de Camões, nem o de Álvares de Azevedo, não o amor lírico, mas o amor fraterno. Escrevo aquilo que algum mortal togado, de alma pervertida por rigores formais, chamou de prosa poética.
Falo de alguém. Falo de um alguém. Falo d'O Alguém.
Quem é Stephanie? Alguém...
Stephanie é aquela dos olhos argutos, perdida na multidão. Stephanie é aquela percrustando essa multidão com olhar penetrante, meditando sobre como interpretar isso na ponta de uma caneta. Stephanie da inteligência vivida, da crítica aguda. Como falar em prosa de alguém que é poesia?
Não, por Deus, não sei fazer poesia.
Stephanie é alguém de paixões fortes e amores profundos.
Stephanie é a palavra de consolo em meio ao turbilhão, é o consolo da ária da quarta corda de Bach. Aquela que mesmo longe, se faz presente como um afago. Ela simplesmente sabe o que dizer, sabe quando dizer, sabe como dizer. Como sabe? Silêncio... Segredos do dom da palavra.
Stephanie é a irmã. A minha irmã. Geográfica e biologicamente separados em algum descuido da humana divindade. Ninguém me disse, eu por mim mesmo o vi. Não... minto. Senti.
Fogem-me as palavras, foge-me a inspiração por entre os dedos.
Não, definitivamente. Não sei fazer poesia.
E quem será, um dia, Stephanie? Será a mesma Stephanie de sempre, oras! Humanos brilhantes nascem com seu brilho. Um dia, projetam-no muito além do lugar de onde vieram. Seres brilhantes não aprendem a brilhar, brilham sem o saber. Seres brilhantes um dia se tornam grandes demais para caberem em si mesmos. E de onde eles vêm? De onde ela vem? Silêncio... Segredos da humana divindade que os gera.
Dito e comprovado. Eu não sei fazer poesia.
Eu não sei escrever.
Achei que soubesse, mas sei muito pouco para tão árdua tarefa.
Enfim, humildemente, ofereço essas linhas a você, Stephanie, e humildemente espero que as aceite, e que entenda que fogem-me as frases, mas sobra-me o sentimento.


*Um "muchas gracias" especial pro Rogério, que me indicou e me passou essa imagem. ¡Gracias, corazón!

Esboçado em mal traçadas linhas por  **§ SIR L@NCELOT® §** às 2:09 AM
 
TRÓIA: Entenda porque o filme é um lixo
 

Acredito que boa parte de vós, fidedignos seguidores de vosso cavaleiro-trovador (cada dia que passa eu viajo mais no meu nickname, já está ficando patológico), haveis assistido ao infame "Troy". Por Deus, já ouço os gritinhos de histeria por falar mal do Brad Pitt...
Claro que a produção tem suas (poucas) virtudes. Os figurinos e cenários são de encher os olhos, e sem dúvida frutos de uma longa pesquisa. Eu até poderia ter adorado, se, e somente se eu desconhecesse totalmente a existência da "Ilíada", de Homero.
Sem desespero, caríssimo leitor. Eis que diviso tua doce expressão interrogativa e quase escuto teu gemido lascinante da dúvida: "Lanceeeeee, querido... meu sonho de goiabada, que ilha é essa? Quem é esse cara? Como assim? O que o Brad Pitt de sainha tem a ver com isso?" E vamos à "Ilíada", pois bem.
Trata-se de uma das mais célebres epopéias clássicas, que narra o cerco à cidade grega de Tróia, na Ásia Menor. Embora revestida de caráter mitológico e ficcional no poema em questão, existem vestígios concretos da existência da cidade, e mesmo de sua destruição face a uma sangrenta batalha. Possivelmente, essa história tenha sido contada por várias gerações, na tradição oral, o que explicaria todos os floreios e alegorias com os quais foi ornada. E, no século VIII a. C., atribuíria-se a Homero, um poeta cego, seu registro em forma de versos. No entanto, contexta-se mesmo a existência de tal figura, dados os poucos documentos concretos que se referem a ele. Também a Homero atribuí-se a epopéia que narra a volta dos guerreiros à Grécia, comandados por Ulisses, rei de Ítaca: a "Odisséia".
Uma rápida (e pobre) sinopse: guiado pela deusa Afrodite, o príncipe Páris de Tróia, que vivia como pastor, desconhecendo sua origem nobre, rapta Helena, a mais bela mulher de toda a Grécia, e foge para sua cidade natal. Contudo, Helena era rainha de Esparta, esposa do rei Menelau. Indignado, Menelau recorre a seu irmão Agamenon, rei de Micenas, e a todos os seus aliados, reis das demais cidades gregas, e parte para Tróia, em missão de resgate. Com as tropas gregas, dentre outros heróis, encontra-se o lendário guerreiro Aquiles, semi-deus, filho de Zeus e uma mortal. Seguem-se dez longos anos de conflito, não só entre as tropas gregas e troianas, mas também entre os deuses protetores de ambos os exércitos (o que confere uma fantástica riqueza à narrativa). O desfecho da guerra dá-se com o conhecidíssimo episódio do cavalo de madeira, deixado como "presente" aos troianos.
E onde, então, peca o filme?
Primeiramente, e talvez o mais gritante, o tempo. Como já dito, a guerra de Tróia durou dez anos. Aos espectadores do filme, embora não haja referências cronológicas, paira a sensação de serem apenas algumas semanas. O que também é inconcebível de um ponto de vista historiográfico, pois, tantos séculos atrás, tanto o recrutamento de tropas como seu transporte demandaria meses.
Em segundo lugar, o maniqueísmo de qualquer filme hollywoodiano, ou seja, a tendência de chamar um lado de "bom" e o outro de "mal". Embora isso seja inevitável mesmo para quem lê o livro, a interpretação dos roteiristas é totalmente equivocada, ao fazerem dos troianos os "mocinhos". Embora o príncipe Heitor fosse dotado de caráter nobre, Páris jamais foi movido por sentimentos de amor, senão por orgulho. Também Aquiles apresenta um caráter por demais duvidoso. Mulherengo e insubordinado, em nada parece-se com o Aquiles mitológico, nobre e altivo.
Também é absurdo, historicamente, o tratamento dispensado aos mortos. Para as civilizações clássicas, consistia em um grande sacrilégio o ato de cremar-se um cadáver, pois acreditavam esses povos que os mortos chegariam ao Hades (nome dado ao reino dos mortos, no mundo subterrâneo, e também ao deus que o governava) com a mesma forma que deixaram o mundo dos vivos. Os mortos deveriam ser sepultados, com todos os rituais prescritos pela religião.
Finalmente, a morte de Aquiles. Reza a lenda que a mãe do guerreiro, quando este era criança, mergulhou-o nas águas de um rio, e a água tornou invulnerável sua pele. Seu único ponto fraco era o calcanhar direito, por onde sua mãe segurou-o. Foi com uma flechada no calcanhar que Páris assassinou Aquiles, entretanto, isso não foi acidental, como mostrado no filme. E também essa morte deu-se muito antes da batalha final, quando Tróia caiu.
Eu poderia escrever pelo menos umas vinte páginas contando os absurdos do filme, mas não é meu objetivo fazer de um post um tratado sobre o tema.
Por fim, recomendo que assistam o filme, obviamente, pois somente dessa forma será possível entender a crítica. Vejam, pensem e tirem suas próprias conclusões.


Eric Bana, como Heitor


Brad Pitt, (péssimo) como Aquiles


Orlando Bloom e Diane Krueger , como Páris e Helena


Friso de uma tumba do século IV a.C., representando o combate entre Aquiles e Heitor.

HUMILHE SEU PROFESSOR

Leia:
- COULANGES, Fustel de. Cidade Antiga .Coleção A Obra-prima de cada autor. São Paulo: Martin Claret. 2003
- HOMERO.Ilíada (Tradução de Haroldo de Campos). São Paulo: ASX. 2002.
- MORENO, Cláudio. Tróia: Romance de uma guerra. Porto Alegre: L&PM, 2004. (sugestão de Matheus Bonez - valeu, carinha!)

Assista:

- Troy (EUA - 2004). Direção: Wolfgang Petersen. Com: Brad Pitt, Orlando Bloom, Eric Bana, Peter O'Toole. Warner Bros. Pictures

Esboçado em mal traçadas linhas por  **§ SIR L@NCELOT® §** às 7:51 PM
 
Da luta pelos Direitos invioláveis da pessoa humana
 

Eis que das cinzas ressurjo.
Tá, tá, tá... gritem, esperneiem, xinguem-me, digam que quase morreram enquanto estive ausente (por favor, digam).
Mas eis que volto, triunfante (na caixa de som: Music for the Royal Fireworks - Handel), com endereço novo e template personalizado. Não feito por mim, já que a tapadice frente ao PC me impede, e sim, feito pelo PEDRO. Valeeeeeeeu.
Agora chega de frescura e vamos ao post.

CÓDIGO PENAL
DECRETO-LEI N° 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940


Art 1º: Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem previa cominação legal.
(Do direito Romano: nullus crimen, nulla poena sine praevia lege)

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (1988)

Art 5º
XXXIX­ não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO(França - 1789)

Art 7º - Nenhum homem pode ser acusado, detido ou preso a não ser nos casos previstos pela Lei, e segundo as formas preestabelecidas. Aqueles que procuram, despacham, executam ou fazem executar ordens arbitrárias devem ser punidos; mas cada cidadão citado ou detido, em virtude da Lei, deve submeter-se imediatamente; opondo resistência, torna-se culpado.

Art 8º - A Lei deve estabelecer somente penas escritas e evidentemente necessárias, e ninguém pode ser punido senão em virtude de uma Lei estabelecida e promulgada anteriormente ao crime, legalmente aplicada.

Embora longa a a coletânea de textos acima compilada, faz-se necessário seu conhecimento para a minha explanação.
Também faz-se de suma importância uma ligeira regressão no tempo. Voltemos aos fins da Idade Média. Uma enriquecida classe social tem seu crescimento barrado pelo poder esfacelado nas mãos de vários senhores. Essa classe, chamada de burguesa precisa de uma figura central que proteja seus interesses econômicos. Assim, patrocinam a opaca figura chamada de "rei", e, dando-lhe um exército, faz com que ele se projete por sobre toda a nobreza, concentrando o poder em suas mãos.
Nasce assim o Absolutismo Monárquico, sistema de governo no qual não há nenhum poder acima do rei, e sua pessoa chega a confundir-se com o próprio Estado. Fato claramente ilustrado pelas célebres palavras de um de seus maiores expoentes, o rei Luís XIV de Bourbon (1638 - 1715): "L'Estat c'est moi" (o Estado sou eu).
Ora, temos o seguinte silogismo: se o poder de punir emana do Estado, sendo o Estado a própria pessoa do governante, logo, o governante tem o direito de punir (jus puniendi, do antigo Direito Romano). Conclui-se que o Direito Penal poderia ser potencialmente um instrumento de vingança privada. E realmente o foi. O próprio Rei Sol ordenou a prisão e fisco de todos os bens de seu ministro das finanças, sob acusação de crime de lesa-majestade, apenas porque este havia construído sua residência particular à semelhança do Palácio de Versalhes.
Consideradas circunstâncias supra-expostas, é visível que não havia segurança jurídica, ou seja, qualquer um poderia ser punido a qualquer tempo, não havendo garantia alguma de preservação da liberdade.
Mas eis que chega o iluminado século XVIII. E com ele, pensadores como Rousseau e Voltaire, questionando as raízes desse domínio obscuro e irracional. Esse movimento teve seu grande triunfo com a Revolução Francesa, de julho de 1789.
Mais uma vez, a burguesia sufocada pela autoridade excessiva que esta mesma havia legado ao rei, servindo-se da população, pega em armas e derruba toda a antiga forma de governo, visando estabelecer um Estado justo e Democrático, baseado nos ideais da obra de Rousseau. Claro que, na prática, o poder continuou nas mãos da elite, mas em tese, a história seria outra.
Durante a Revolução, já no ano de 1789, redigiu-se e promulgou-se a "Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão". Um histórico diploma legal, pois pela primeira vez, efetivamente, impunha limites ao poder central. Contudo, dez anos depois praticamente estava restaurado o Absolutismo, sob a mão de ferro de Napoleão Bonaparte,e mais duas revoluções foram necessárias para que esta declaração fosse respeitada, de fato.
No entanto, durante os fins do século XIX e século XX, praticamente todos os países democráticos do mundo basearam-se na Declaração para a redação de suas constituições.
E aquilo que, hoje, nos parece um princípio óbvio, já que somos todos cidadãos de repúblicas livres. No entanto, ele é reflexo e resultado de uma sangrenta luta.

HUMILHE SEU PROFESSOR

- MIRABETE, Julio Fabrinni. Manual de Direito Penal, Parte Geral. São Paulo: Atlas. 2001
- ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social.Coleção A Obra-prima de cada autor. São Paulo: Martin Claret. 2004
- BECCARIA, Cesare Bonasena, Marquês de. Dos Delitos e das Penas. Coleção A Obra-prima de cada autor. São Paulo: Martin Claret. 2004

Esboçado em mal traçadas linhas por  **§ SIR L@NCELOT® §** às 2:39 AM
 

**§ SIR L@NCELOT® §**

- 19 anos
- Geminiano
- Dois olhos
- Duas orelhas
- Uma boca
- Um nariz
- O resto todo inteiro.
- Estudante de Direito na PUC de Campinas
- Valinhos/SP

Turn On: artes plásticas, música, literatura.
Turn Off: nem vale a pena falar disso...


Sir Lancelot por Stephs Fry

Não quero falar de Sir Lancelot. Quero falar do Filippe, o homem por trás [ahahaha, piadinha infame] de Sir Lancelot. O Filippe é uma raridade: lindo, inteligentíssimo, engraçado, culto, educado, gentil, [insira aqui mais uns setecentos adjetivos], enfim, tudo de bom. Ele é, sem dúvida, uma das pessoas mais especiais que eu conheço e uma das poucas que eu faço questão de manter a amizade. Ah, e ele também tem um sotaque britânico espetacular, até pelo MSN.

 

E a mãe?
Madame Zoraide
Poroco
Puta merda, bicho!
Queima, Jesus!
Repórter Puma Fotolog
Sushi Bar

 Julho 2004Agosto 2004
 
 


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